27.3.08

Rumo às sociedades do conhecimento

Diante da necessidade de compartilhar o tema pesquisado a um semestre, trago esta matéria com conteúdo pertinente ao tema do projeto de pesquisa em andamento:

CÚPULA MUNDIAL E A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL: INFLUÊNCIAS E DESDOBRAMENTOS.

KO$CHIRO MATSUURA

Será que estamos no limiar de uma nova era, a era das sociedades do conhecimento? As reviravoltas científicas do século 20 provocaram uma terceira revolução industrial, a revolução das novas tecnologias, que, essencialmente, são tecnologias intelectuais. Essa revolução deitou as bases de uma economia do conhecimento, colocando-o no cerne da atividade humana, do desenvolvimento e das transformações sociais.
No entanto, informação não é conhecimento. E a incipiente sociedade mundial da informação, que é o tema da Cúpula de Túnis (de 16 a 18 de novembro), só irá realizar seu potencial se facilitar o surgimento de sociedades do conhecimento pluralistas e participativas que, mais do que excluir, incluam.
Isso significa que no século 21 vamos assistir ao desenvolvimento de sociedades de conhecimentos compartilhados? Como destaca relatório mundial da Unesco ("Rumo às Sociedades do Conhecimento") coordenado por Jérôme Bindé e publicado com vistas à Cúpula de Túnis, nas sociedades do aprendizado, não deve haver indivíduos que são excluídos, pois o conhecimento é bem público que deve ser acessível a todos.
O conhecimento possui duas qualidades notáveis: a não rivalidade e, uma vez prescrito o período de proteção sob os direitos de propriedade intelectual, a não exclusividade. A primeira ilustra uma propriedade destacada por Jefferson: "Quem recebe uma idéia de mim, recebe instrução sem diminuir a minha instrução, assim como quem acende sua vela na minha, recebe luz sem me jogar no escuro". A segunda propriedade significa que qualquer pessoa pode fazer uso livre dos conhecimentos que integram o domínio público.
Há hoje uma consciência de que o desenvolvimento de sociedades baseadas na partilha do conhecimento constitui a melhor maneira de travar guerra efetiva contra a pobreza, de prevenir grandes ameaças à saúde e de promover um desenvolvimento humano sustentável.
Entretanto, existem cinco obstáculos que se interpõem ao advento das sociedades de conhecimento compartilhado:
1) O abismo digital: ausência de conexão significa ausência de acesso. 2 bilhões de pessoas não são conectadas à rede elétrica e três quartos da população global tem pouco ou nenhum acesso às telecomunicações básicas.
2) O abismo cognitivo.
3) A concentração de conhecimento em áreas geográficas restritas.
4) O conhecimento existe para ser compartilhado. Como alcançar o equilíbrio entre a universalidade do conhecimento e a propriedade intelectual?
5) O desenvolvimento de sociedades de conhecimento compartilhado é prejudicado hoje pelas crescentes divisões sociais, nacionais, urbanas, familiares, educacionais e culturais e pela persistente divisão de gêneros.


Nas sociedades do aprendizado, não deve haver excluídos, pois o conhecimento é bem que deve ser acessível a todos

Para superar esses obstáculos, os países terão que investir muito na educação, na pesquisa, no infodesenvolvimento e na promoção de sociedades de aprendizado. O que está em jogo é o destino de todos os países, pois os que não investirem suficientemente colocarão em risco seu próprio futuro. Quais são as soluções práticas propostas no relatório da Unesco? Eis exemplos:
1) Investir mais na educação de qualidade para todos.
2) Os governos, o setor privado e os parceiros sociais devem explorar a possibilidade de, no século 21, introduzir progressivamente uma "dotação por tempo de estudo" que dê aos indivíduos o direito a alguns anos de educação após o término do ensino obrigatório.
3) Ao mesmo tempo em que se aumentam investimentos em pesquisa, é preciso promover novas formas de partilha do conhecimento, como o colaboratório. Essa nova instituição virtual, que inclui laboratório e colaboração, possibilita que pesquisadores trabalhem juntos em redes que atravessam fronteiras. Devemos a essa inovação a decodificação do genoma humano.
4) Também é preciso promover a diversidade lingüística nas sociedades do conhecimento e aproveitar os conhecimentos locais e tradicionais.
Mas o Sul tem condições econômicas de sustentar sociedades do conhecimento? Não serão um luxo reservado ao Norte? É claro que poderíamos responder parafraseando Lincoln: "Se você acha que o conhecimento custa caro, experimente optar pela ignorância!". Não devemos aprender uma lição com o sucesso de tantos países do mundo?
Alguns investem maciçamente em educação e pesquisa científica há várias décadas e conseguiram reduzir a pobreza absoluta de forma substancial. Alguns já superaram muitos países ricos em termos de PIB per capita. Outros, que já figuravam entre os países avançados, fortaleceram ainda mais suas chances em nível global e, ao mesmo tempo, continuam a elevar o nível de desenvolvimento humano sustentável.
É possível afirmar que um mundo que dedica US$ 1 trilhão por ano a gastos militares não possui meios de promover sociedades do conhecimento para todos? Para fazer frente a um mundo profundamente dividido por disparidades de todos os tipos, não existe alternativa senão a partilha de conhecimentos. Diz um provérbio africano que o conhecimento é como o amor: é a única coisa que cresce quando é compartilhada.


Koïchiro Matsuura, 68, economista e diplomata japonês, é o diretor-geral da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
Tradução de Clara Allain

18.2.08

Escolaridade afeta a possibilidade de desenvolvimento sustentável

Escolaridade afeta a possibilidade de desenvolvimento sustentável PDF Imprimir E-mail

Publicado em O Globo

31/01/2008

Para Wanda Engel, a desigualdade de acesso a uma educação de qualidade está definindo no Brasil uma situação que já vem sendo caracterizada como uma “crise de audiência do ensino médio”

Em artigo, a superintendente do Instituto Unibanco, Wanda Engel, comenta dados de pesquisas que mostram que os níveis de escolaridade afetam diretamente o grau de competitividade e a possibilidade de desenvolvimento sustentável de um país. “A desigualdade, as relações de desconfiança e discriminação entre grupos sociais, a violência e o baixo nível de responsabilidade social interferem diretamente na capacidade de uma sociedade promover seu próprio desenvolvimento econômico, social e político”, diz.

Segundo Wanda, estudos do Banco Mundial revelam que comportamentos negativos dos jovens podem representar uma redução anual do crescimento. A situação de vulnerabilidade desse segmento da população pode fazer com que deixemos de ganhar, nos próximos 40 anos, algo em torno de R$ 300 bilhões (16% do PIB). Para a autora, a desigualdade de acesso a uma educação de qualidade está definindo no Brasil uma situação que já vem sendo caracterizada como uma “crise de audiência do ensino médio”. Do total da população de 10 milhões de jovens entre 15 e 17 anos, somente 4 milhões se encontram matriculados nesse nível. Como conseqüência histórica dessa situação, o percentual da população economicamente ativa com escolaridade média no Brasil é de apenas 14,4%, enquanto no México esse índice chega a 37%; no Chile a 35,7%; e na Argentina a 31,1%. “Uma sociedade, para ter futuro, necessita de um mínimo de coesão social, como condição básica para que ela seja capaz de produzir o bem-estar coletivo”, finaliza.

4.12.07

6ª Oficina de Inclusão Digital


A galera gequiana da Faced/UFBA esteve presente em massa no evento realizado no IAT (Instituto Anísio Teixeira).
Informações preciosas compartilhadas, experiências trocadas, ações divulgadas...enfim, ganhamos em estar envolvidos e fazendo acontecer.
A 6ª Oficina de Inclusão Digital realizada aqui em Salvador pela primeira vez representou inserção e visibilidade das ações na região nordeste no circuito das discussões acerca do tema de forma ainda mais participativa, colaborativa.
Refletimos juntos o tema inclusão digital com chance de avaliar tipos de ações com caráter inclusivo ou ou meramente mercadológico.

Http://www.inclusaodigital gov.br/oficina

29.10.07

Michel Maffesoli

A análise da entrevista com o sociólogo francês aponta o Brasil como um laboratório da pós-modernidade, pois é o berço dos princípios organizacionais de um chamado passado distante neotribalista caracteística do retorno desta sociedade.
Das características gerais da pós-modernidade três pelo menos são identificados no Brasil. Um deles é a mestiçagem. Conceito constituido a partir da fragmentação ou heterogeneização da vida social. O segundo é a denominação de "tribalismo" o oposto de "individualismo europeu". As ligações sociais presentes nas pequenas afinidades eletivas. As mesmas construtoras dos pequenos grupos sociais, musicais e espotivas. A terceira característica centra-se na corporeidade, no hedonismo do prazer e do viver.
Para o sociólogo o Brasil é um mosaico constituído a a partir dos pequenos pedaços diversificados.

12.9.06

Inclusão: que conceito é esse??

Durante a fala da Prª Bonilla em que discutiu o conceito de inclusão, observei o quanto somos levados a acreditar em idéias fantasiosas quando não míticas. Interessante revirar conceitos, (dos quais nos apropriamos como se fossem nossos) inquiri-los a ponto de perceber o que é real e o quanto refletem a realidade, ou se apenas, servem para manter a penunbra cega a ocultar os pensadores e atores deste sistema de prisão.
Claro! Quem em sã consciência, apropriado das possibilidades de sua existência e competência se deixaria classificar em parcela desfavorecida e depreciada da sociedade? Papel este inventado e adaptado para todos aqueles que não são "destinados" a compartilhar do conhecimento? Ainda, quem não se permitiria conhecedor do mundo que compartilha e no qual precisa sobreviver? Ou, se submeteria passivamente aos desmandos de seus pares, aceitando rótulos, submetendo-se a conceitos que se esfacelam aos apelos da lógica?
Enfim, para dominar é preciso atacar os flancos. E destes, o mais imobilizador e mortificante é o não saber (nem saber-se).É muito mais fácil pensar a quem não pensa.
É inevitável deixar de fazer o link com a importância da FILOSOFIA. A tão marginalizada no campo das massas. Ora, para quê Filosofia num senário como este?
Imagino o mundo que teríamos se a todos fosse dado o direito de conhecer a partir de uma consciência crítica, tendo para isso um veículo como a sociedade digital!!!!